Pólipo de alto grau aos 37 anos: quando a colonoscopia leva à indicação de cirurgia

Pólipo de alto grau aos 37 anos: quando a colonoscopia leva à indicação de cirurgia

Um caso de sangramento retal mostrou a importância da investigação e do tratamento adequado de uma lesão com potencial de evolução para câncer

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Nem todo sangramento retal significa algo grave. Hemorroidas, por exemplo, são uma causa frequente. Mas esse sintoma não deve ser automaticamente atribuído a elas sem uma avaliação adequada.

Recentemente, acompanhei um paciente de 37 anos que realizou uma colonoscopia após apresentar sangramento retal. O exame encontrou três pólipos em diferentes regiões do cólon.

Dois eram pequenos, com aproximadamente 0,5 cm e 0,7 cm, e foram retirados durante a própria colonoscopia.

A terceira lesão, porém, tinha cerca de 3 cm e apresentava uma base mais alargada. Por suas características e pelo maior risco de complicações, como perfuração intestinal, o colonoscopista optou por não removê-la naquele momento.

A lesão foi marcada com uma tatuagem endoscópica, permitindo que sua localização fosse identificada posteriormente durante a cirurgia.

A biópsia mostrou displasia de alto grau

A análise da lesão revelou displasia de alto grau, uma alteração celular que pode representar uma etapa anterior ao desenvolvimento do câncer e que exige tratamento adequado.

Diante do tamanho, das características da lesão e do resultado da biópsia, foi indicada uma retossigmoidectomia por videolaparoscopia, com retirada do segmento intestinal onde a lesão estava localizada.

A cirurgia durou aproximadamente uma hora e meia e ocorreu sem intercorrências. A previsão foi de cerca de quatro dias de internação, com progressão gradual da alimentação durante a recuperação.

Sangramento retal merece investigação

Esse caso chama atenção também pela idade do paciente. Aos 37 anos, seria fácil atribuir o sangramento a uma causa mais comum, como hemorroidas. A colonoscopia mostrou, porém, que havia outras alterações que precisavam ser tratadas.

Além do sangramento, sintomas como alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal sem explicação, anemia ou perda de peso não intencional também merecem avaliação médica.

Para pessoas com risco habitual, o rastreamento do câncer colorretal costuma começar aos 45 anos. Porém, quando existem sintomas ou fatores de risco, a investigação pode ser indicada antes disso.

A importância de investigar

A colonoscopia não serve apenas para identificar doenças. Em muitos casos, ela permite encontrar e retirar pólipos antes que possam evoluir.

Neste paciente, duas lesões foram retiradas durante o exame e uma terceira, por suas características, precisou de tratamento cirúrgico.

O principal aprendizado é que sangramento retal não deve ser ignorado nem automaticamente atribuído a hemorroidas. A investigação adequada ajuda a identificar a causa e definir o tratamento mais apropriado para cada caso.